SOBRE A IMPORTÂNCIA DA CULTURASim, há gente que sem querer nada dos poderes se dispõe a sugerir propostas para a área da Cultura de um (eventual) futuro programa de governo. Sim, há pessoas que sem se sentarem com a sua melhor roupa na fila da frente de "Reuniões de intelectuais" ou pedirem a palavra no momento certo, para largar meia-dúzia de generalidades de forma a que se lembrem deles quando precisarem de um/a director/a de casa comemorativa ou instituto, ainda assim, sugerem o que acham melhor para um desenvolvimento cultural.
E porquê?
Por terem perfeita consciência de que a Cultura é a última das preocupações da maioria dos partidos, dos empresários, institutos públicos e privados e, sobretudo, dos milhões que todos os domingos atulham os hipermercado com o que Deus lhe deu, deslumbrados com a perspectiva de consumir coisas que toda a gente já tem, mundo fora. Dão-se ao trabalho de de defender coisas básicas que todos os dias os seus colegas se queixam, por saber que também pertencem a um povo que resmunga, anafado de iliteracia, sem se dar conta que parte dos seus problemas se resolveriam se entendessem um pouco mais das coisas do mundo. Da manipulação, por exemplo.
Bastava olhar o título de um dos jornais nacionais (o Público, creio...), a semana passada, que "mostrava" como o Algarve estava vazio. Às moscas. Sem ninguém, com tudo ao desbarato. Já nem o telefone do empresário de restauração mais in tocava para lhe perguntarem onde é que seria melhor aparcar o iate. A desgraça.
SE eu não estivesse numa praia algarvia, apinhada, logo abaixo de estradas com um trânsito intenso, poderia acreditar. Ou então, se não tivesse olhado com mais atenção a foto de primeira página. Um grupo de cadeiras vazias, um ou outro passeante, para comprovar a tese. Acontece que bastaria olhar de perto para ver pela luz que a foto foi tirada ao entardecer. Quando as pessoas já deixaram o areal. Apenas para provar uma tese que seria desmentida pela objectiva.
A comunicação social todos os dias insiste em nos manipular. Se calhar, sempre foi assim, eu é que não dava por isso. Mas neste momento, convencidos de que é preciso agravar, extrapolar, hiperbolizar,as más noticias, não hesitam e mentem. A verdade desapareceu ou, pelo menos, a sua necessidade. Os editores de jornal contentam-se com a mentira que venda. Eu entendo. É preciso agradar ao patrão do grupo com números pelo menos razoáveis de venda. Mas, para aqueles que foram para Jornalismo (já agora para Direito, onde se aplica a mesma situação) porque acreditavam que era preciso dizer a verdade aos outros, talvez seja altura de alargarem os seus horizontes e deixarem essa profissão que se afundará cada vez mais, tentando levar os leitores, que somos nós todos, com ela.
É por isso que a Cultura faz falta e investir nela como uma prioridade é essencial. Para que as pessoas tenham consciência de que o mundo é maior do que a sua casa. E que nenhum de nós está condenado à infelicidade, por mais praias fazias que nos mostrem.